domingo, 6 de fevereiro de 2011

A MODA AGORA É.... MERCADO DE LUXO

Modo de vida caracterizado por grandes despesas supérfluas e pelo gosto da ostentação e do prazer; fausto, ostentação, magnificência. Textos antigos, remontando aos primeiros sociólogos, já afirmavam que, a identidade do homem se afirma pela sua propriedade privada. Seus bens são seu modo de existência pessoal e, em consequência, sua vida essencial. A vida no modo "ter" foi amplamente analisada por Fromm (1987). ...pt.wikipedia.org/wiki/Luxo

A grande verdade é que o luxo é o intangiível mais tangível dos tempos atuais. Não estou ficando louca quando digo isso. Se analisarmos friamente a evolução do mercado do tão clamado nos últimos dias “mercado de luxo”, que agora envolve até processos judiciais em busca da “exclusividade de marcas” em determinados conglomerados comerciais – vulgo shoppings centers, a concepção do consumidor, aquele que é a principal peça para que tudo isso exista, é muito mais interesante e diferente do que o mercado insiste em criar conceitos de marketing para atrair e vender mercadorias.

O que é luxo hoje?
No passado, luxo podia ser dinheiro, os carros de muitas cilindradas ou os barcos. Hoje as coisas raras são sobretudo o tempo, o espaço, o silêncio, a autonomia e a segurança.  Esses são os grandes luxos para o século.

Quando as reservas de mercado caíram e as importações foram liberadas no Brasil, as conceituadas grifes começaram em todos os segmentos a tomar conta do mercado brasileiro, em especial ,a capital de São Paulo. Estou falando de pólos como Shopping Iguatemi, Rua Oscar Freire, Daslu entre outros. Grifes essas que vieram para mudar o hábito e a atitude em relação ao consumo de diversificar categorias de produtos.

Como estudiosa em comportamento, sempre recomendo aos meus clientes e aspirantes a novos negócios que saiam as ruas e observem seus próprios atos de consumo diante das categorias.

O bom e velho pingado com pão francês quentinho consumido na padaria do bairro foi trocado pelo café da manhã da Galeria dos Pães no Jardins, assim como se caminharmos pelo bairro de Moema – zona sul de São Paulo, podemos observar que as chamadas “padarias”, agora são conhecidas como “Empórios” que vão do café da manhã a sopinha quente nos dias mais aconchegantes.

Se analisarmos o mercado do mundo dos cabelos, maquiagem, unhas... podemos sim, dizer que  a inversão do valores mudou bastante. Para homens, o “velho barbeiro” está cada vez mais out e a boa e querida “manicure da esquina de casa” também está perdendo seu valor.

O que acompanhamos agora é o crescimento de verdadeiros mega espaços para beleza, onde num período mínimo de 2h ficamos nos deliciando com tratamentos capilar, cortes com tendências de todos os lugares do mundo, produtos de alta complexibilidade para cabelos, pele e corpo. Tudo isso saboreando um belo espumante, ou rendendo-se às delicias da lanchonete glamourosa entre uma massagem e outra. Experiência essa que me submeti em alguns dos consagrados “salon de São Paulo” como o Studio W, L’Office ,entre outros. Diego Gialdi explica que no Homa por exemplo, você encontra tratamentos diversos tanto para homens quanto para mulheres que buscam a Diferença. Alessandra Saraiva e Diego Gialdi investiram em suas profissões quando  se deram ao " luxo" ou tiveram total consciência que precisavam de mais do que as escolas ofereciam aqui e literalmente caíram no mundo, rodaram diversos países, buscando as mais novas tendências do mercado Hair fashion.

Isso sem analisarmos categorias profundamente como: Celular, Tênis, Jóias, Roupas, Cosméticos, Gastronomia, Turismo, Bancos, Cartões de Crédito entre outros.

A GRANDE PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:  NO QUE MUDAMOS?

Comecei a fazer uma reflexão interna e percebi que hoje eu não uso mais óculos, uso Cartier, Ermenezildo, Bvlgari, Armani, D&G, Chanel que por sinal em alguns casos, também são os perfumes e relógios que uso.
Em suma, o produto sucumbiu a marca que passou a dizer que signo pertenço, qual meu momento de vida, ou seja, nossa identidade passou definitivamente a ser a etiqueta que usamos. Por mais que existam aqueles que digam: “Eu uso um jeans Armani pelo caimento e corte e não pela etiqueta”. Assumir o desejo e o uso de grifes, é como se estivéssemos sendo sentenciados ao ridículo, coisa bem comum aqui no Brasil. Talvez porque tudo isso seja ainda  muito novo em nosso mercado, pois até então, só víamos desfilar em belas cidades, carros como Porches, BMW, Mercedez e Jaguar, ou seja,  aqueles pertencentes ao que chamamos de classe sócio-econômica AAA – gargalhada.

Agora não, o que temos é o crescimento da classe média-alta que vem se valendo das facilidades de pagamento e começando a priorizar marcas desejadas que só tinham acesso, folheando revistas elitizadas.

Patenteando Joãozinho Trinta: “Pobre também gosta de luxo”

Por isso, fica aqui meu conselho para todos os lojistas de todas as regiões: Caprichem no lay-out de suas lojas, qualifiquem seus vendedores, forneçam conforto aos seus clientes, um atendimento diferenciado, mas não abram mão da relação custo beneficio, pois essa matemática o consumidor de todas as regiões e classes sociais, sabem fazer com muita propriedade.

Portanto, posso concluir que o tanto que tem sido veiculado na mídia nos últimos dias em termos de “mercado de luxo”, nada mais é do que traduzir um pouco na vaidade de cada um de nós. Para mim, o buraco é um pouco mais profundo, pois no fundo, todos estão querendo utilizar uma etiqueta para ser aceito e reconhecido na sociedade. Deixo para reflexão as seguintes frases que colhi em trabalho de campo:

“- Não tenho curso superior, mas tenho um Mercedez e sou tratado por doutor em todos os lugares que chego”
“- Sou negra e quando entro na Tiffanys, me sinto uma madame poderosa e meus amigos me consideram in”
“- Sou gorda, mas só uso óculos Cartier e perfumes Chanel e meus amigos me acham o máximo, freqüento os melhores restaurantes e todos me acham super simpática”
“- Gastei uma grana comprando roupas Daslu, mas meus colegas de trabalho viram que sou poderoso e ficaram morrendo de inveja”

Por fim... acho que Freud explica! 

Você é ou conhece alguém “ASSEXUADO”?

Logo que comecei meus estudos sobre o comportamento humano, aprendi que ser assexuado trata-se de pessoas que não têm desejo sexual lutam para se ajustar a um mundo guiado pelo sexo.
Mas será que a indiferença em relação ao sexo poderia também se estender aos seres humanos em 2011?
Um número cada vez maior de pessoas diz que sim e apresenta provas. Elas se descrevem como assexuadas, e dizem ser normais, e não o resultado de uma orientação sexual confusa, de um medo da intimidade ou de um lapso temporário do desejo. Elas gostariam que o mundo compreendesse que são capazes de viver felizes sem o sexo.
Por outro ângulo, o que tenho escutado cada vez mais nas minhas pesquisas comportamentais em diferentes ciclos de pessoas e lugares é que ser “assexuado” nos dias de hoje é a forma mais fácil de lidar com as diferenças sexuais e os desejos incutidos neles. Ou seja, as pessoas estão se permitindo ser heterossexuais, homossexuais, bissexuais ou mesmo assexuado, só que tudo isso pode ser sentido em um único dia.
Que me atire à primeira pedra os homofônicos de plantão a pessoa que nunca teve uma fantasia, um desejo, um simples pensamento em alguém do sexo oposto ou pelo menos uma sexo a três. E depois vem querer me convencer de que são “assexuados”.
A sexualidade está em toda parte, das mensagens mais ou menos sutis da
publicidade até as cenas explícitas na televisão. É nesse contexto, no qual o sexo passou de tabu a uma condição fundamental para a felicidade, que um número cada vez maior de pessoas se autoproclamam assexuadas.
A sociedade “vende” o sexo às pessoas. “Se você não gosta de sexo então você tem problemas mentais. Ser diferente na nossa sociedade é ser doente”, chamo a isto de “opressão sexual”.

Todos somos capazes de entender que alguém não goste de música country ou de cebola, ou que não se interesse por aprender a assoviar, mas não podem aceitar que alguém não queira praticar sexo. O que elas não entendem é que muitos assexuados não desejam ser 'curados’.

Na minha opinião o termo ‘assexuado dos novos tempos’ acaba sendo utilizado para justificar a necessidade que as pessoas têm de extravasar seus desejos mais íntimos que não contam nem pra si mesmo.
O sexo é um impulso natural, tão natural quanto o impulso para comer e beber a fim de garantir a sobrevivência.

Para terminar esse artigo, deixo as palavras a seguir de Martha Medeiros.
“O que são mentiras consensuais? São aquelas que todo mundo topou passar adiante como se fosse verdade. Aquelas que ouvimos de nossos pais, eles de nossos avós, e que automaticamente passamos para nossos filhos, colaborando assim para o bom andamento do mundo, para uma sanidade comum. O amor, o sentimento mais nobre e vulcânico que há, tornou-se a maior vítima deste consenso. O amor, como todo sentimento, é livre. É arredio a frases feitas, debocha das regras que tentam lhe impor. Esta meia dúzia de coordenadas instituídas como verdades fazem com que muitas pessoas achem que estejam amando errado, quando estão simplesmente amando. Amando pessoas mais jovens ou mais velhas ou do mesmo sexo ou amando pouco ou amando com exagero, amando um homem casado ou uma mulher bandida ou platonicamente, amando e ganhando, todos eles, a alcunha de insanos, como se pudéssemos controlar o sentimento. O amor é dono dele mesmo, somos apenas seu hospedeiro. Todos nós, que estamos quites com as verdades concordadas, guardamos, lá no fundo, algo que nos perturba, que nos convida para o exílio, que revela nossa porção despatriada. É a parte de nós que aceita a existência das mentiras consensuais, entende que é melhor viver de acordo com o estabelecido, mas que, no íntimo, não consegue dizer amém.”

VERDADE OU MENTIRA, A BELEZA TEM PREÇO?

Na minha ótica, o mercado mais fabuloso para todas as classes sociais é o mercado do SONHO. Diferentes das marcas e produtos que fazem de tudo para invadir este mercado e adquirir o “share of market” que vai ao desejo incutido de cada um de nós.

Quando usei o tema beleza no título desse artigo foi porque a beleza e a vaidade são na minha percepção e vivência de mercado, as duas categorias mais disputadas nos sonhos de todos nós. Reflitam na magia do poder das indústrias de cosméticos que nos fazem sonhar em ser mulher quando estamos no “auge dos nossos 15 anos e nos fazem sonhar em sermos meninas quando alcançamos o esplendor da maturidade”.

O mais incrível é que essa realidade não pertence mais somente ao universo feminino. Os homens estão gradativamente invadindo esse mercado que, lógico,  ainda são oriundos e guiados pelos braços femininos.

Muito se diz, inclusive eu, que o consumidor dos tempos atuais está mais informado e  qualificado no que tange a conceitos e direitos, sabendo direcionar seus olhos na escolha certa que faça valer o binômio custo X. benefício, como se só existisse somente o lado racional processando, no momento da compra. Grande tolice!!!!

Após escutar e analisar as diversas óticas de diferentes colegas de marketing, comecei a me questionar: onde está o emocional? Será que a compra de um automóvel nos dias de hoje é uma decisão puramente racional? Ainda escolhemos uma marca e modelo pensando no valor de mercado e na revenda posterior no momento da troca? A verdade é que ninguém quer ter carro de "tiozão".

Consumo seria uma forma de atender as necessidades internas e externas, primárias e secundárias, adquirindo algo ou utilizando produtos e serviços que sejam produzidos pela natureza ou pela atividade humana. E aí cabe a pergunta que não quer calar: A BELEZA TEM PREÇO???

“Não há graus de vaidade, apenas grau de habilidade em disfarça - la”,  já afirmava sabiamente o escritor e romancista norte-americano Mark Twain (1835-1910). E, convenhamos, nós mulheres sabemos muito bem como disfarçar nossas pequenas (sejamos boazinhas!) imperfeições. Não importa se temos muito ou pouco dinheiro, sempre arrumamos um jeitinho para dar uma “garibada” no visual. Cabelos, pele, bumbum, pés - nada escapa dos olhares atentos e dos investimentos da “mulherada” e porque não dizer dos homens também.

Vaidade não está relacionada com tamanho, peso, cor dos olhos e da pele, mas sim com o amor próprio. Independente da forma física é importante ter um mínimo de apreço por você. Como consultora de comportamento e marketing sou uma cobaia constante no mercado em “quase” todos os segmentos. Estou sempre aberta à experimentação, mas quando o assunto é cabelo ai o poder de convencimento terá que ser grande.

Atualmente o mercado dos “cabelos” é um dos mais disputados pela indústria, varejo e Salões de Beleza. Atingir o consumidor o fidelizar o mesmo é uma arte dentro desse universo de marcas e produtos para tinturas, shampoos, tratamento, cortes modernos ou tradicionais.

Mas não devemos esquecer que a melhor forma de cativar um cliente hoje é oferecer diferenciais básicos como conforto, atendimento personalizado, segurança. E essa premissa básica na minha opinião é aplicada a todas as camadas da sociedade, pois como sabiamente disse Joãozinho Trinta -  “Pobre também gosta de luxo”.

Se fizermos um pequeno esforço de memória, há vários anos acredito que “quase” todos ouviram falar da singela, porém simpática massagem nas costas que a Rede de Cabeleireiro Soho oferece aos seus clientes após a lavagem dos cabelos. Acreditam que poucos conseguem dimensionar o valor agregado que esse serviço passa para a marca.

Nunca o mercado teve tantos conceitos distintos, hidratação rápida, profunda, produtos a base de chocolate, a moda do “sem sal” e aqui cabe uma ressalta: - cuidado com “sem sal” ou sem “adição de sal”. Preços para todos os bolsos.


                                   E pra você, a vaidade tem preço?

Para conversar com Adriana da Cunha Leocádio, basta escrever para o e-mail: adrianaleocadio@terra.com.br – ou pelo telefone: (11) 6085.1311 – sites recomendados: http://www.adrianaleocadio.blogspot.com/