Modo de vida caracterizado por grandes despesas supérfluas e pelo gosto da ostentação e do prazer; fausto, ostentação, magnificência. Textos antigos, remontando aos primeiros sociólogos, já afirmavam que, a identidade do homem se afirma pela sua propriedade privada. Seus bens são seu modo de existência pessoal e, em consequência, sua vida essencial. A vida no modo "ter" foi amplamente analisada por Fromm (1987). ...pt.wikipedia.org/wiki/Luxo
A grande verdade é que o luxo é o intangiível mais tangível dos tempos atuais. Não estou ficando louca quando digo isso. Se analisarmos friamente a evolução do mercado do tão clamado nos últimos dias “mercado de luxo”, que agora envolve até processos judiciais em busca da “exclusividade de marcas” em determinados conglomerados comerciais – vulgo shoppings centers, a concepção do consumidor, aquele que é a principal peça para que tudo isso exista, é muito mais interesante e diferente do que o mercado insiste em criar conceitos de marketing para atrair e vender mercadorias.
O que é luxo hoje?
No passado, luxo podia ser dinheiro, os carros de muitas cilindradas ou os barcos. Hoje as coisas raras são sobretudo o tempo, o espaço, o silêncio, a autonomia e a segurança. Esses são os grandes luxos para o século.
Quando as reservas de mercado caíram e as importações foram liberadas no Brasil, as conceituadas grifes começaram em todos os segmentos a tomar conta do mercado brasileiro, em especial ,a capital de São Paulo. Estou falando de pólos como Shopping Iguatemi, Rua Oscar Freire, Daslu entre outros. Grifes essas que vieram para mudar o hábito e a atitude em relação ao consumo de diversificar categorias de produtos.
Como estudiosa em comportamento, sempre recomendo aos meus clientes e aspirantes a novos negócios que saiam as ruas e observem seus próprios atos de consumo diante das categorias.
O bom e velho pingado com pão francês quentinho consumido na padaria do bairro foi trocado pelo café da manhã da Galeria dos Pães no Jardins, assim como se caminharmos pelo bairro de Moema – zona sul de São Paulo, podemos observar que as chamadas “padarias”, agora são conhecidas como “Empórios” que vão do café da manhã a sopinha quente nos dias mais aconchegantes.
Se analisarmos o mercado do mundo dos cabelos, maquiagem, unhas... podemos sim, dizer que a inversão do valores mudou bastante. Para homens, o “velho barbeiro” está cada vez mais out e a boa e querida “manicure da esquina de casa” também está perdendo seu valor.
O que acompanhamos agora é o crescimento de verdadeiros mega espaços para beleza, onde num período mínimo de 2h ficamos nos deliciando com tratamentos capilar, cortes com tendências de todos os lugares do mundo, produtos de alta complexibilidade para cabelos, pele e corpo. Tudo isso saboreando um belo espumante, ou rendendo-se às delicias da lanchonete glamourosa entre uma massagem e outra. Experiência essa que me submeti em alguns dos consagrados “salon de São Paulo” como o Studio W, L’Office ,entre outros. Diego Gialdi explica que no Homa por exemplo, você encontra tratamentos diversos tanto para homens quanto para mulheres que buscam a Diferença. Alessandra Saraiva e Diego Gialdi investiram em suas profissões quando se deram ao " luxo" ou tiveram total consciência que precisavam de mais do que as escolas ofereciam aqui e literalmente caíram no mundo, rodaram diversos países, buscando as mais novas tendências do mercado Hair fashion.
Isso sem analisarmos categorias profundamente como: Celular, Tênis, Jóias, Roupas, Cosméticos, Gastronomia, Turismo, Bancos, Cartões de Crédito entre outros.
A GRANDE PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: NO QUE MUDAMOS?
Comecei a fazer uma reflexão interna e percebi que hoje eu não uso mais óculos, uso Cartier, Ermenezildo, Bvlgari, Armani, D&G, Chanel que por sinal em alguns casos, também são os perfumes e relógios que uso.
Em suma, o produto sucumbiu a marca que passou a dizer que signo pertenço, qual meu momento de vida, ou seja, nossa identidade passou definitivamente a ser a etiqueta que usamos. Por mais que existam aqueles que digam: “Eu uso um jeans Armani pelo caimento e corte e não pela etiqueta”. Assumir o desejo e o uso de grifes, é como se estivéssemos sendo sentenciados ao ridículo, coisa bem comum aqui no Brasil. Talvez porque tudo isso seja ainda muito novo em nosso mercado, pois até então, só víamos desfilar em belas cidades, carros como Porches, BMW, Mercedez e Jaguar, ou seja, aqueles pertencentes ao que chamamos de classe sócio-econômica AAA – gargalhada.
Agora não, o que temos é o crescimento da classe média-alta que vem se valendo das facilidades de pagamento e começando a priorizar marcas desejadas que só tinham acesso, folheando revistas elitizadas.
Patenteando Joãozinho Trinta: “Pobre também gosta de luxo”
Por isso, fica aqui meu conselho para todos os lojistas de todas as regiões: Caprichem no lay-out de suas lojas, qualifiquem seus vendedores, forneçam conforto aos seus clientes, um atendimento diferenciado, mas não abram mão da relação custo beneficio, pois essa matemática o consumidor de todas as regiões e classes sociais, sabem fazer com muita propriedade.
Portanto, posso concluir que o tanto que tem sido veiculado na mídia nos últimos dias em termos de “mercado de luxo”, nada mais é do que traduzir um pouco na vaidade de cada um de nós. Para mim, o buraco é um pouco mais profundo, pois no fundo, todos estão querendo utilizar uma etiqueta para ser aceito e reconhecido na sociedade. Deixo para reflexão as seguintes frases que colhi em trabalho de campo:
“- Não tenho curso superior, mas tenho um Mercedez e sou tratado por doutor em todos os lugares que chego”
“- Sou negra e quando entro na Tiffanys, me sinto uma madame poderosa e meus amigos me consideram in”
“- Sou gorda, mas só uso óculos Cartier e perfumes Chanel e meus amigos me acham o máximo, freqüento os melhores restaurantes e todos me acham super simpática”
“- Gastei uma grana comprando roupas Daslu, mas meus colegas de trabalho viram que sou poderoso e ficaram morrendo de inveja”
Por fim... acho que Freud explica!